Festival de Gramado divulga programação para volta ao modelo presencial

Festival de Gramado divulga programação para volta ao modelo presencial

Kikitos, premiação do Festival de Gramado (Foto: Divulgação)

O Festival de Cinema de Gramado, um dos mais tradicionais do Brasil, divulgou neste final de semana sua programação completa para a edição de 2022, que tem tudo para ser ainda mais especial do que o normal – afinal, marca a volta do evento ao modo presencial após dois anos de programação remota devido à pandemia de Covid-19 e também sua 50ª edição.

O festival voltará a exibir longas-metragens brasileiros, estrangeiros e gaúchos e curtas-metragens brasileiros e gaúchos no Palácio dos Festivais, no centro de Gramado (RS), entre os dias 12 e 20 de agosto.

Segundo comunicado do evento, os longas documentais também poderão ser acompanhados pelo Canal Brasil, em sessões televisionadas sempre a partir das 20h, e pelo Globoplay, logo após a exibição na TV. O Canal Brasil também transmitirá a cerimônia de premiação no sábado, dia 20, a partir das 21h30, com a entrega dos tradicionais Kikitos.

Veja a seguir a programação completa conforme divulgada pelo festival, com a lista dos filmes concorrentes. A lista inclui as designações CMB (curta-metragem brasileiro), CMG (curta-metragem gaúcho), LMB (longa-metragem brasileiro), LME (longa-metragem estrangeiro), LMD (longa-metragem documental) e LMG (longa-metragem gaúcho).

Dia 12/8, sexta-feira
A partir das 18h, no Palácio dos Festivais
CMB – O Fim da Imagem (PR), de Gil Baroni / 14’58”
LMB – A Mãe (SP), de Cristiano Burlan / 90’26”
CMB – Deus Não Deixa (RJ), de Marçal Vianna / 20’45”
LME – La Pampa (Peru, Chile, Espanha), de Dorian Fernández Moris / 105’44”
A partir das 20h, no Canal Brasil
LMD – Ademã – A vida e as notas de Ibrahim Sued (RJ), de Isabel Sued Perrin e Paulo Henrique Fontenelle / 104’14”

Dia 13, sábado
A partir das 13h15, no Palácio dos Festivais
CMG – Nós que fazemos girar (Porto Alegre), de Lucas Furtado / 20’11”
CMG – Sinal de Alerta Lory F (Porto Alegre), de Fredericco Restori / 18’53”
CMG – Drapo A (Encantado), de Alix Georges e Henrique Lahude / 18’40”
CMG – Possa Poder (Porto Alegre), de Victor Di Marco e Márcio Picoli / 19’13”
CMG – Olho por mim (Porto Alegre), de Marcos Contreras / 11’36”
CMG – Apenas para registro (Porto Alegre), de Valentina Ritter Hickmann / 15’19”
CMG – Johann e os Ímãs de geladeira (Porto Alegre), de Giordano Gio / 24’00”
CMG – Perfection (Gravataí), de Guilherme G. Pacheco / 14’54”
A partir das 18h, no Palácio dos Festivais
CMB – Último Domingo (RJ),de Joana Claude e Renan Barbosa Brandão / 17’07” *Audiodescrição disponível
LMB – O clube dos anjos (RJ), de Angelo Defanti / 98’00” *Audiodescrição disponível
CMB – Benzedeira (PA), de Pedro Olaia e San Marcelo / 15’01”
LME – 9 (Uruguai, Argentina), de Martín Barrenechea e Nicolás Branca / 105’00”
A partir das 20h, no Canal Brasil
LMD – Um par para chamar de meu (SP), de Kelly Cristina Spinelli / 82’00”

Dia 14, domingo
A partir das 13h15, no Palácio dos Festivais
CMG – Madrugada (Rio Grande, Pelotas), de Leonardo da Rosa e Gianluca Cozza / 19’09”
CMG – Tudo permanece em constante movimento (Porto Alegre), de Cristine de Bem e Canto / 07’01”
CMG – Nação preta do Sul – O Curta (Porto Alegre), de Nando Ramoz e Gabriela Barenho / 24’59”
CMG – A diferença entre mongóis e mongolóides (Porto Alegre, Canoas), de Jonatas Rubert / 04’41”
CMG – Mby’á nhendu – o som do espírito Guarani (Porto Alegre, Maquiné e Camaquã), de Gerson Karaí Gomes / 18’20”
CMG – Fagulha (Porto Alegre), de Jéssica Menzel e Jp Siliprandi / 07’58”
CMG – Sintomático (Porto Alegre), de Marina Pessato / 04’05”
CMG – O abraço (Porto Alegre), de Gabriel Motta / 17’36”
CMG – Mora (Porto Alegre), de Sissi Betina Venturin / 10’51”
A partir das 18h, no Palácio dos Festivais
CMB – Ímã de geladeira (SE), de Carolen Meneses e Sidjonathas Araújo / 19’55”
LMB – Noites alienígenas (AC), de Sérgio de Carvalho / 80’20”
CMB – O elemento tinta (SP), de Luiz Maudonnet e Iuri Salles / 09’29”
LME – El camino de Sol (México), de Claudia Sainte-Luce / 77’17”
A partir das 20h, no Canal Brasil
LMD – Elton Medeiros – o sol nascerá (RJ), de Pedro Murad / 80’01”
A partir das 22h30, no Palácio dos Festivais
Entrega do Troféu Assembleia Legislativa – Mostra Gaúcha de Curtas

Dia 15, segunda-feira
A partir das 14h, no Palácio dos Festivais
LMG – Campo Grande é o céu (Mostardas), de Bruna Giuliatti, Jhonatan Gomes e Sérgio Guidoux / 71’24”
A partir das 18h, no Palácio dos Festivais
CMB – Tekoha (SP), de Carlos Adriano / 14’15”
LMB – O pastor e o guerrilheiro (DF), de José Eduardo Belmonte / 115’03”
CMB – Serrão (MG), de Marcelo Lin / 18’36”
LME – O último animal (Portugal, Brasil), de Leonel Vieira / 109’14”
A partir das 20h, no Canal Brasil
LMD – O destino está na origem (GO), de Pedro de Castro Guimarães / 61’01”

Dia 16, terça-feira
A partir das 14h, no Palácio dos Festivais
LMG – Dog Never Raised (Porto Alegre, São Leopoldo), de Bruno de Oliveira / 71’08”
A partir das 18h, no Palácio dos Festivais
CMB – O pato (PB), de Antônio Galdino / 11’18”
LMB – A porta ao lado (RJ), de Julia Rezende / 113’11”
CMB – Solitude (AP), de Tami Martins e Aron Miranda / 13’20”
LME – Cuando Oscurece (Argentina, Uruguai), de Néstor Mazzini / 76’44”
A partir das 20h, no Canal Brasil
LMD – Eu nativo (PA), de Ulisses Rocha / 71’11”

Dia 17, quarta-feira
A partir das 14h, no Palácio dos Festivais
LMG – 5 Casas (Dom Pedrito), de Bruno Gularte Barreto / 75’01”
A partir das 18h, no Palácio dos Festivais
CMB – Fantasma neon (RJ), de Leonardo Martinelli / 20’00”
LMB – Marte um (MG), de Gabriel Martins / 115’01”
CMB – Mas eu não sou alguém (SP), de Daniel Eduardo e Gabriel Duarte / 13’11”
LME – La boda de Rosa (Espanha, França), de Iciar Bollain / 80’02”

Dia 18, quinta-feira
A partir das 14h, no Palácio dos Festivais
LMG – Despedida (Pelotas, Porto Alegre, Viamão), de Luciana Mazeto e Vinícius Lopes / 90’23”
A partir das 18h, no Palácio dos Festivais
CMB – Um tempo pra mim (RS), de Paola Mallmann / 20’59”
LMB – Tinnitus (SP), de Gregório Graziosi / 105’00”
CMB – Socorro (PA), de Susanna Lira / 16’52”
LME – Inmersión (Chile, México), de Nicolas Postiglione / 72’01”

Dia 19, sexta-feira
A partir das 14h, no Palácio dos Festivais
LMG – Casa vazia (Santana do Livramento, Rivera), de Giovani Borba – 78’01”
A partir das 18h, no Palácio dos Festivais
Filme de encerramento – Exibição do longa-metragem documental vencedor

Dia 20, sábado
A partir das 21h, no Canal Brasil, site e redes sociais do evento
Cerimônia de premiação para as Mostras Competitivas de Curtas-Metragens Brasileiros e Longas-Metragens Brasileiros, Documentais, Estrangeiros e Gaúchos.

Gilberto Gil, 80

Gilberto Gil, 80

Foto: Reprodução/Facebook

O Brasil comemora neste domingo (26) os 80 anos de um de seus maiores artistas: Gilberto Gil. E como com todo nome genial das artes, o mundo de Gil (ex-ministro da Cultura) vai muito além da música – e invade também o cinema. Como homenagem, portanto, aqui vai uma listinha de como o cinema e Gil se encontraram nestes 80 anos, sempre andando com fé! Viva Gil!

Os Doces Bárbaros (1981, Jom Tob Azulay): “O documentário registra a comemoração dos dez anos de carreira de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa, que formaram o grupo intitulado ‘Os Doces Bárbaros’.” Disponível no Globo Play. Com o complemento de Outros (Doces) Bárbaros (2002, Andrucha Waddington), documentário sobre a reunião do grupo em 2002, após 26 anos, para dois shows ao ar livre. Disponível no Youtube da gravadora Biscoito Fino.

Corações a Mil (1981, Jom Tob Azulay): “A tiete Su (Regina Casé) é apaixonada pelo cantor Gilberto Gil. Jairo (Joel Barcellos) é um jornalista de um grande veículo de comunicação, que lhe atribui a tarefa de desvendar a fórmula secreta utilizada pelo cantor.” Gil também foi produtor do filme, que leva o nome de uma de suas canções. Disponível no Prime Video por meio do Looke.

Infinita Tropicália (1986, Adilson Ruiz) e Tropicália (2012, Marcelo Machado) são documentários sobre o movimento tropicalista, que teve Gil como um de seus principais representantes. Ambos estão disponíveis no Youtube, e o filme de Machado esteve em festivais renomados como É Tudo Verdade, Telluride e Buenos Aires. Complemento com o também documentário Futuro do Pretérito (2012, Francisco Cesar Filho, Ninho Moraes).

Canções do Exílio (2011, Geneton Moraes Neto): “Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jards Macalé e Jorge Mautner relembram momentos marcantes vividos durante a ditadura. O registro apresenta os acontecimentos decorrentes do cárcere, da vida no exílio e do retorno ao país.” Fez parte do festival É Tudo Verdade em 2021. Disponível no Canal Brasil.

Viva São João (2002, Andrucha Waddington): “Em 2001, durante a turnê do cantor Gilberto Gil pelas festas juninas do Nordeste e do Sudeste do Brasil, vários personagens são entrevistados, fazendo sempre um paralelo sobre a história das festas de São João e sua importância para a comunidade local.” Parte da 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Disponível no Youtube.

Viramundo: uma viagem musical com Gilberto Gil (2013, Pierre-Yves Borgeaud): “Depois de cinco décadas de uma sólida carreira como um dos mais importantes artistas do Brasil, Gilberto Gil embarca em uma nova turnê no Hemisfério Sul. Do Brasil para a Austrália e África do Sul, um retrato estrangeiro sobre um artista próximo que nos revela a universalidade de suas visões e pontos de vista.” Documentário franco-suíço, com exibição no Festival do Rio e no Visions du Réel, em Nyon.

Gilberto Gil Antologia Vol.1 (2019, Lula Buarque de Hollanda): “​O documentário passeia por obras compostas pelo músico baiano entre 1968 e 1987. Gil revela suas visão de mundo e potência criativa em expansão no início de carreira neste turbulento momento histórico brasileiro. O filme é construído a partir de vasta pesquisa de imagens de arquivo e revisita o contexto das músicas em conversa com o próprio criador.​” Festival do Rio de 2019.

Refavela 40 (Mini Kerti, 2019): “Documentário HBO Latin America Original que revisita o icônico álbum de Gilberto Gil, por ocasião da celebração dos 40 anos de lançamento.” Disponível no HBO Max.

Em Casa com os Gil (2022, Andrucha Waddington, Pedro Waddington, Rebeca Diniz): “Em Casa com os Gil acompanha uma das famílias mais famosas da música brasileira durante a criação de uma turnê histórica, que vai reunir todas as gerações da família no palco pela primeira vez. Os Gil se encontram para um retiro criativo no interior do Rio de Janeiro e você vai assistir aos bastidores de tudo que acontece nessa preparação para um dos shows mais esperados do ano.” Série de cinco episódios com cerca de 35 minutos cada, recém lançada pelo Prime Video.

Slow Horses: a ótima nova série da Apple

Slow Horses: a ótima nova série da Apple

Tenho utilizado parte do meu tempo livre nos últimos finais de semana com uma nova (e deliciosa) série produzida pela Apple: “Slow Horses”. Um envolvente thriller de espionagem britânico com todas as características que uma boa produção do Reino Unido pede – sim, inclusive o humor ácido!

Os episódios têm sido lançados todas as sextas-feiras desde 1º de abril (o quinto e mais recente foi ao ar ontem). A série é baseada em livro homônimo de Mick Herron, o primeiro de uma sequência de oito títulos produzidos pelo autor sobre “Slough House”, uma espécie de segundo escalão do serviço secreto britânico para onde são enviados os agentes que falharam na divisão principal do MI5.

O líder de Slough House é o ranzinza Jackson Lamb, brilhantemente interpretado por Gary Oldman na série. Lamb é tão ranzinza, um senhor genioso e genial, que chega a ser engraçado, e Oldman reflete isso muito bem em sua interpretação. Além dele, Jack Lowden também se sai muito bem no papel de River Cartwright, um dos agentes do MI5 enviados para trabalhar em Slough House, e os coadjuvantes também não decepcionam.

Kristin Scott Thomas não tem seu papel mais brilhante como Diana Taverner, chefe no MI5, mas entrega o esperado quando chamada à cena. Gostei bastante das atuações de Saskia Reeves e Olivia Cooke, também membros de Slough House, ainda que evidentemente apareçam menos que o elenco principal.

Precisa de mais? Pois a trilha sonora também é um atrativo. A música tema, “Strange Game”, é co–composta e cantada por Mick Jagger.

“Slow Horses” é mais um acerto do serviço de streaming que já nos deu “Ted Lasso” e “The Morning Show”. Altamente recomendável – tanto que agora vou dar uma escapulida para assistir ao episódio de ontem. Até mais…

Maratona Oscar: O Beco do Pesadelo/Gabriel Araujo

Maratona Oscar: O Beco do Pesadelo/Gabriel Araujo

Não há muito mais a ser dito sobre “O Beco do Pesadelo” desde que Martin Scorsese foi às páginas do Los Angeles Times pedir para que seus leitores dedicassem um tempo para assistir ao novo filme de Guillermo Del Toro, ao qual tece profundos elogios.

“Fiquei impressionado e emocionado”, diz Scorsese. “Fico ansioso para assistir qualquer coisa feita por Guillermo, mas este filme em particular teve um poder e uma ressonância especiais para mim. E então percebi que as pessoas simplesmente não estavam indo vê-lo.”

“Um diretor como Guillermo, que nos dá filmes tão amorosa e apaixonadamente construídos, não apenas precisa do nosso apoio: ele merece.”

Sim, o longa de Del Toro não prosperou nas bilheterias, e a coluna de Scorsese torna este fato ainda mais estranho. E até por isso, claro, merece que tentemos publicar algumas mal traçadas próprias sobre “O Beco do Pesadelo”, que no Brasil já está disponível no Star+, serviço de streaming da Disney.

Originalmente intitulado “Nightmare Alley”, o filme traz Bradley Cooper no papel de Stan Carlisle – um candidato a golpista que, sozinho no mundo, se junta a um circo no final dos anos 1930 e a partir disso se envolve com truques mentais que, especialmente na segunda parte do longa, farão justiça aos que classificam como um thriller psicológico a adaptação do livro homônimo de William Lindsay Gresham, lançado em 1946.

A primeira hora do filme, que a princípio me pareceu uma introdução longuíssima mas depois fez todo o sentido, se passa no interior dos Estados Unidos e mostra a chegada e evolução de Carlisle no circo, contando com coadjuvantes do quilate de William Dafoe e Toni Collette. Já a segunda hora e meia ocorre em Nova York, no desenrolar psicológico no qual as aventuras circenses levaram Carlisle a embarcar, e tem a luxuosa presença de Cate Blanchett como a psicanalista Lilith Ritter.

Cooper está, mais uma vez, muito bem no papel principal. Blanchett também traz uma ótima performance como, por que não?, a “femme fatale” do filme. Guillermo del Toro entrega o que se espera do diretor de “O Labirinto do Fauno” e “A Forma da Água”. Mas devo dizer que fiquei muito tocado pela performance de Rooney Mara como Molly Cahill, parceira de Stan desde os anos de circo, papel no qual ela transita maravilhosamente entre a inocência, a segurança, a força e o medo. Ela é a coadjuvante melhor explorada num filme em que parte deles não são vistos tão profundamente. Merece o reconhecimento.

No Oscar, “O Beco do Pesadelo” lutará pelas estatuetas de melhor filme, melhor fotografia (de fato excelente, aplausos para Dan Laustsen), melhor figurino e melhor design de produção. Não deve sair da premiação muito laureado, a julgar pelas disputas anteriores – no BAFTA, foi indicado às mesmas categorias (com exceção de melhor filme) e não levou nenhuma delas; no Critics’ Choice Awards, acumulou oito indicações – incluindo Del Toro como melhor diretor –, mas também saiu de mãos abanando.

Mas de quê isso importa? Deixe de lado as premiações e a bilheteria modesta de 37,8 milhões de dólares até aqui, contra um orçamento de 60 milhões, ao fazer sua avaliação.

Seja visto como noir (classificação um tanto simplista que Scorsese recomenda que seja pensada duas vezes antes de ser dada), seja como thriller psicológico ou suspense, “O Beco do Pesadelo” e seu ótimo elenco fazem por merecer sua audiência. Guillermo Del Toro merece – e quem está dizendo não sou só eu; é Martin Scorsese.

Sinopse
Do visionário cineasta Guillermo del Toro, chega um thriller psicológico de suspense sobre um manipulador (Bradley Cooper) que se une a uma psiquiatra igualmente enganadora (Cate Blanchett) para roubar os ricos da sociedade de Nova York dos anos 1940. Del Toro coescreveu este filme com Kim Morgan, baseado no romance de William Lindsay Gresham.

Elza no cinema

Elza no cinema

O Brasil perdeu nesta semana um de seus maiores ícones culturais: a cantora Elza Soares, que morreu de causas naturais na última quinta-feira, no Rio de Janeiro, aos 91 anos. Reconhecida mundialmente por sua emocionante voz, Elza também tem história no cinema. Para homenageá-la, nada melhor do que selecionar algumas obras importantes que abordam ou contam com a presença desta maravilhosa e eterna artista.

A primeira indicação vai para My Name Is Now, Elza Soares, filme de Elizabete Martins Campos que foi destaque neste blog em abril de 2020, quando exibido pelo Curta!.

Publicamos à época que “a vida de Elza Soares, em muitos momentos, se entrelaça com a de muitas outras mulheres brasileiras, negras e pobres; mas a música a levou além. (…) No filme, o espectador está diante de Elza Soares em toda sua complexidade através de performances e de depoimentos, uma mescla entre imagens de arquivos e outras gravadas especialmente para o longa.”

Elizabete Martins Campos deu uma bela entrevista para o UOL após a notícia da morte de Elza, que pode ser lida clicando aqui.

Além do documentário, Elza também apareceu em alguns filmes de ficção, com destaque para obras de Mazzaropi: O Vendedor de Linguiça, O Puritano da Rua Augusta e Um Caipira em Bariloche. Em homenagem a Elza, o Museu Mazzaropi publicou na internet trechos dessas obras, que podem ser conferidos no vídeo abaixo.

Se não bastasse tudo isso, Elza Soares também foi motivo de interpretação de uma das maiores atrizes brasileiras desta geração: Taís Araújo, que cumpriu o papel da cantora em Garrincha – Estrela Solitária, longa de 2003 baseado no livro de Ruy Castro sobre o Mané, grande amor da vida de Elza.

Garrincha - Estrela Solitária - Filme 2003 - AdoroCinema

“Eu honro Elza Soares. Honro a mulher, a artista, a cidadã, a amiga. (…) Dura na queda, nos ensinou a levantar a cabeça a cada tombo e depois seguir. Nos ensinou que é a gente que leva a vida, que o comando é nosso e quando a gente perde o rumo, cabe a nós mesmos encontrar o caminho de volta”, escreveu Taís no Instagram.

“Perdi uma ídola e ganhei uma ancestral forte, firme, uma luz. Alterno lágrimas com risos, lembrando das histórias e me pego pensando no legado deixado por Elza: cabeça erguida e passos firmes.”

Com cabeça erguida, Elza cantou até o fim. Viva, Elza – na música, no cinema, na História.