Tom Sizemore e Matt Damon em “Resgate do Soldado Ryan” (Reprodução)
A sempre emocionante lista de homenagens post mortem do Oscar provavelmente ganhou um novo nome na última semana, poucos dias antes da cerimônia de 12 de março: o ator Tom Sizemore morreu na Califórnia na última quinta-feira por complicações de um aneurisma, aos 61 anos.
Sizemore foi uma das estrelas de “O Resgate do Soldado Ryan”, laureado filme de 1998 de Steven Spielberg em que interpretou o sargento Mike Horvath, e pelo qual recebeu uma indicação ao Satellite Awards como melhor ator coadjuvante.
Ele também marcou presença em outras grandes produções cinematográficas, especialmente dos anos 1980 e 1990, como “Fogo contra Fogo” e “Nascido em 4 de Julho”, e foi indicado a um Globo de Ouro em 2000 pelo papel de protagonista no filme televisivo “Witness Protection” (HBO).
Também teve seus pontos baixos – passou mais de uma vez pela prisão, tendo enfrentado ao longo da carreira diversos problemas com o abuso de drogas e uma condenação por violência doméstica.
Entre os trabalhos mais recentes estiveram a série Twin Peaks (2017, o revival) e Barbee Rehab (2022). Os últimos destaques na telona, porém, datam mesmo da década de 2000, incluindo Pearl Harbor (2001), Black Hawk Down (2001) e The Flyboys (2008), após os quais obteve mais destaque em filmes independentes.
Em um longo obituário publicado em sua página In Memoriam, o Globo de Ouro lamentou a morte de Sizemore, destacando a intensidade e emoção transmitida em seu trabalho.
“Um ator talentoso que frequentemente tornava seus diversos personagens coadjuvantes magneticamente intensos e absolutamente assustadores”, disse a premiação. A ver se Oscar também o acrescentará em sua tradicional homenagem.
“Os Fabelmans”, novo filme de Steven Spielberg, é excelente. Emocionante. Extremamente pessoal. E, creio, um enorme candidato a vencer alguns dos principais prêmios do Oscar este ano – incluindo o de melhor filme e melhor direção. Spielberg nos brinda uma novidade para sua carreira, um longa autobiográfico, e o faz com a excelência de sempre do diretor de obras máximas como “E.T.” e “O Resgate do Soldado Ryan”.
Spielberg basicamente recorda sua infância e juventude na pele de Sammy Fabelman, a criança que vemos cultivar o amor pelo cinema desde a mais tenra idade e o adolescente que dá seus primeiros passos na sétima arte, vencendo o bullying, as mudanças de cidade e o duro divórcio dos pais com uma câmera nas mãos.
É maravilhoso apreciar como Spielberg recorda sua família – especialmente seus pais, que o levaram pela primeira vez ao cinema para assistir “O maior espetáculo da Terra”, de Cecil B. De Mille. Em certo momento, a mãe – uma pianista – tem uma fala sensacional sobre as diferenças da família, dizendo que Sammy puxou a ela no amor pela arte, e não ao pai, um engenheiro de computação, no amor pela ciência exata.
Para quem o assiste no cinema, “Os Fabelmans” começa com uma bela declaração de Spielberg agradecendo ao público por vê-lo nas telonas e explicando o quão pessoal para ele serão as 2h30 de filme que estão por vir. E vêm, de fato, 150 minutos da genialidade de um dos maiores diretores de todos os tempos, já premiado com os Globos de Ouro de melhor diretor e melhor filme de drama por esta mais recente produção.
O espectador acompanha a infância de Sammy (Mateo Zoryon Francis-DeFord) produzindo seu primeiro “filme” com a ajuda da mãe, Mitzki (Michelle Williams), uma recriação da colisão de trem de “O maior espetáculo da Terra”; o crescimento de um jovem, Sammy “2” (Gabriel LaBelle), ambicionando pelo sucesso no cinema; e as relações bonitas e distorcidas da família, com o aparente conflito entre arte e ciência – marcado pelo pai Burt (Paul Dano), escancarado na curta mas brilhante participação de Judd Hirsch como o tio-avô artista de circo e balanceado pelo “tio” Bennie (Seth Rogen), que no fim das contas era o amante de Mitzki.
A fotografia de “Os Fabelmans” e os cortes de câmera de Spielberg são brilhantes até, literalmente, a última cena. Preste muita atenção.
Fiquei especialmente comovido pela maiúscula atuação de Michelle Williams. Como um fã de “Dawson’s Creek”, a série pela qual que Williams foi lançada ao estrelato no final dos anos 1990, é cada vez mais prazeroso ver a artista brilhante que ela se tornou e que já podíamos perceber no drama adolescente de 25 anos atrás. E ela – assim como os outros protagonistas de “Dawson’s Creek”, diga-se de passagem – não renega a série! Dia desses, foi homenageada nos “Gotham Awards” e disse que não teria se tornado o que se tornou sem interpretar Jen Lindley e sem conhecer Mary Beth Peil, sua “Grams” na série.
Williams recebeu sua quinta indicação ao Oscar por “Os Fabelmans”, novamente como melhor atriz. Muitos defendem que ela venceria de barbada se tivesse feito campanha para atriz coadjuvante. Mas corretamente escolheu se lançar como atriz principal, o que de fato é no filme de Spielberg. Conquistou a nomeação. Agora a concorrência é enorme, especialmente de Cate Blanchett (que venceu o Globo de Ouro por “Tár”), mas já declaro aqui minha torcida por Williams.
“Os Fabelmans” concorre a sete estatuetas no dia 12 de março. Aposto forte em Spielberg para melhor diretor e em melhor filme. Nas outras categorias, parece correr mais por fora, mas qualquer vitória não seria nenhuma surpresa. Paul Dano poderia ter sido indicado a melhor ator coadjuvante, aliás, mas a Academia preferiu os menos minutos de tela – embora não menos brilhantes – de Hirsch. Tenho minhas dúvidas se foi o correto.
Lamento apenas a bilheteria fraca, de 28,3 milhões de dólares até agora, abaixo dos 40 milhões de orçamento. Merecia muito, muito mais. Quem sabe se Spielberg tivesse se retratado como o “Super Spielberg” com o superpoder de um camera man as pessoas tivessem ido em mais peso ao cinema. Parece que só isso para tirar gente de casa hoje em dia – infelizmente. Se puder, não cometa o mesmo erro e veja “Os Fabelmans”!
“Os Fabelmans” Os Fabelmans foi escrito e dirigido por Steven Spielberg, multipremiado diretor de sucessos, entre eles O Resgate do Soldado Ryan (1998) e A Lista de Schindler (1994), vencedores do Oscar. Após a Segunda Guerra Mundial, o pequeno Sammy (Gabriel LaBelle) vive com sua irmã, a mãe Mitzi (Michelle Williams) e o pai Burt (Paul Dano), no Arizona, Estados Unidos. Aos sete anos, ele já havia mostrado um incrível fascínio pelos filmes. O tempo passa, Sammy cresce, aprende sobre sua família e, incentivado pela veia artística da mãe, desenvolve seu talento a ponto de contar histórias através das câmeras. Vencedor do prêmio de melhor filme drama do Globo de Ouro 2023.
Quero aproveitar este espaço hoje para homenagear um dos maiores músicos de todos os tempos, que nos deixou surpreendentemente nesta última semana. Por décadas, Jeff Beck alucinou qualquer fã de rock com sua guitarra – fosse solo, com os Yardbirds, com o Jeff Beck Group… Até morrer no último dia 11, aos 78 anos, por conta de uma meningite bacteriana.
E o que isso tem a ver com cinema? Tudo! Porque Jeff Beck também nos deixou um filme sobre sua história, justamente minha recomendação de hoje. “The Jeff Beck Story – Still On The Run”, de 2018, conta a trajetória de Beck do início ao sucesso com algumas das maiores bandas e artistas de todos os tempos. Recheado de depoimentos de nomes como Rod Stewart, Eric Clapton, Jimmy Page e outros.
O filme pode ser visto em alguns serviços de streaming como Vivo Play e Apple TV+ . Deixo o trailer (em inglês) e a sinopse abaixo. Jeff Beck também está na trilha sonora de alguns clássicos do cinema, como “Casino”, de Martin Scorsese, e “Risky Business”, com Tom Cruise. Aproveite também!
The Jeff Beck Story – Still On The Run “Still On The Run – The Jeff Beck Story” acompanha a carreira de Jeff Beck desde cedo, aprendendo solos de guitarra com seu amigo Jimmy Page, passando pelos Yardbirds, pelo Jeff Beck Group e por seus multifacetados álbuns solo. O fascínio de Beck pela guitarra e por hot rods é explorado por meio de entrevistas e sua jornada musical é ilustrada por contribuições de muitos de seus colegas, incluindo Eric Clapton, David Gilmour, Jan Hammer, Jimmy Page, Joe Perry , Slash, Rod Stewart, Ronnie Wood e muito mais.
A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo anunciou nesta segunda-feira que encerrará sua edição 2022, na próxima quarta, com a exibição de um filme do cineasta italiano Luca Guadagnino: Até os Ossos (“Bones & All”, em inglês), estrelado por Taylor Russell e Timothée Chalamet e baseado no romance homônimo de Camille DeAngelis, de 2015.
Até os Ossos foi lançado mês passado no Festival de Veneza, e rendeu a Guadagnino o Leão de Prata de melhor diretor e a Russell o Prêmio Marcello Mastroianni. O longa também foi indicado ao Leão de Ouro.
O filme será exibido pela 46ª Mostra de SP logo após sua cerimônia de encerramento, marcada para às 19h30 na Cinemateca Brasileira e que premiará haverá os filmes vencedores, escolhidos pelo júri e público, com o Troféu Bandeira Paulista. O público geral poderá assistir ao longa em duas sessões no Espaço Itaú de Cinema no mesmo dia.
Até os Ossos, diz a sinopse, “conta a história do primeiro amor de Maren (Russell), uma jovem aprendendo a sobreviver à margem da sociedade, e o intenso Lee (Chalamete), um andarilho sem amarras. Eles se encontram e se unem numa odisseia de mil e quinhentos quilômetros por estradas secundárias, passagens ocultas e alçapões na América de Ronald Reagan.”
Guadagnino é conhecido especialmente por “Call Me by Your Name”, de 2017, pelo qual recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Filme. Você pode ler outros posts do Poltrona de Cinema sobre a Mostra de SP clicando aqui.
Foram entregues neste final de semana os primeiros prêmios Emmy da temporada, com a realização dos Creative Arts Emmy Awards 2022 – um pontapé inicial para a grande cerimônia dos Primetime Emmy (prêmios para o horário nobre), que acontece no próximo dia 12. Os Emmys de “Creative Arts” premiam performances técnicas e de artistas em uma série de programas de TV e contam também com categorias de documentário, animação e reality show.
Entre os vencedores deste ano, muitos nomes e realizações marcantes:
Chadwick Boseman, morto em 2020 aos 43 anos, conquistou um prêmio póstumo de dublagem por “What If…?”. Sua viúva, Simone Ledward Boseman, recebeu o troféu;
Paul McCartney e Ringo Starr levaram o prêmio de série documental por “The Beatles: Get Back”, do Disney+. Eles somam o troféu do Emmy – seus primeiros – aos prêmios Oscar e Grammy que já detinham, e agora estão a um Tony de entrarem na seleta lista “EGOT”, na qual aparecem pessoas que ganharam Emmy, Grammy, Oscar e Tony em suas carreiras;
Diretor e produtor de “Get Back”, Peter Jackson também foi premiado pela série, assim como Yoko Ono e Olivia Harrison – as viúvas de John Lennon e George Harrison, respectivamente;
Adele e Eminem agora também estão a um Tony cada de entrarem na lista “EGOT”. A cantora britânica venceu o prêmio de especial de variedade por “Adele One Night Only”, enquanto Eminem foi premiado pelo show do intervalo do Super Bowl, ao lado de Dr. Dre, Snoop Dogg, Mary J. Blige, Kendrick Lamar e 50 Cent;
As produções musicais foram as grandes vencedoras dos Creative Arts – “Get Back” e “Adele One Night Only” embolsaram cinco troféus cada;
Barack Obama se tornou o primeiro ex-presidente dos Estados Unidos a vencer um Emmy competitivo por sua narração de “Our Great National Parks”, da Netflix. Anteriormente, o ex-presidente Dwight D. Eisenhower havia levado um prêmio honorário em 1956;
RuPaul venceu o Emmy de apresentação de reality show pela sétima vez consecutiva por seu “RuPaul’s Drag Race”, da VH1.
A lista completa de vencedores pode ser conferida aqui.