Maratona Oscar: F1/Gabriel Araújo

Maratona Oscar: F1/Gabriel Araújo

Como fã de longa data de cinema e Fórmula 1, confesso ter ficado muito surpreso quando vi que “F1: O Filme” havia sido indicado ao Oscar de melhor filme deste ano. Não porque o longa seja ruim, mas talvez porque esperasse mais de uma lista tão seleta quanto a da Academia.

Me lembro de sair da sala de cinema em que assisti a “F1” ano passado com um único pensamento caso fosse escrever uma resenha: legal, é um bom entretenimento. E só.

Sim, Brad Pitt está bem no papel de Sonny Hayes, um piloto dos anos 1990 que volta à Fórmula 1 para tentar salvar a APXGP, equipe do fundo do grid comandada por seu amigo e ex-companheiro de equipe Ruben (Javier Bardem).

Mas aí já aparecem os primeiros buracos.

O fã de F1 invariavelmente ficará se perguntando: em que mundo qualquer uma dessas coisas aconteceria? E não é possível apenas não misturar a arte com a realidade, porque ao mesmo tempo em que o espectador vê que tudo aquilo é uma mentirinha cinematográfica, também vê passando pela tela figuras como Lewis Hamilton, Max Verstappen, Toto Wolff e outras estrelas da Fórmula 1 real.

Qual foi a real intenção desse filme? Misturar ficção e realidade de forma randômica? Como muitos jornalistas especializados e até mesmo pilotos disseram à época do lançamento, talvez tenha sido um grande programa para aqueles que não são fãs tão próximos da Fórmula 1. E talvez tenha faltado mente mais aberta para alguns que são – como eu, fazer o quê.

Mas chamar “F1” de um dos melhores filmes do ano me parece um grande exagero.

Há buracos no roteiro (a história dos mecânicos, por exemplo) e a mistureba de coisas incomoda em vários momentos. Claro, os efeitos especiais e as cenas de ação são divertidas. O fato de que a produção rodou o circo da Fórmula 1 para gravá-la também é bacana. Mas, de novo, não acho que isso justifique uma nomeação ao Oscar de melhor filme.

Me surpreenderei muito se “F1: O Filme” for mais do que um coadjuvante (de luxo pelo orçamento e receita elevados) na categoria. Com tantos bom filme no ano e na disputa pela estatueta – O Agente Secreto, Valor Sentimental, Uma Batalha Após a Outra… – “F1” certamente parece um peixe fora d’água na lista.

Porque é um bom entretenimento. E só.

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