Por: Arita Souza / Canal Dobradinha Literária
Michael Stone, pai de família e mestre de livros sobre atendimento ao consumidor, chega à cidade de Cincinnati para palestrar. Stone parece alheio a tudo, as vozes que ouve têm todas o mesmo som, e mesmo as coisas mais triviais parecem cansativas e massantes, como por exemplo interagir com o taxista ou pedir comida no hotel.
O filme tem muitas camadas, aos poucos vamos desmembrando elementos que nos auxiliam a entender a profundidade emocional do longa e o artificialismo que o stop-motion ressalta nos causando estranheza e até um mal estar.
Mover-se parece difícil para Michael Stone. De qualquer forma, a solução que ele encontra para mudar seu ritmo de vida é o adultério.
A crise existencial de Michael em Anomalisa não difere muito das dificuldades de interação de muitos personagens ja retratados no cinema como o de Nicolas Cage em Adaptação ou na produção Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças.
A repetição em si não é o problema, e sim a incapacidade de Kaufman como diretor (aqui, em parceria com o animador de stop-motion Duke Johnson) de desenvolver as muitas ideias que são os verdadeiros personagens de seus dramas feitos de freaks e neuroses. Não faltam premissas instigantes em Anomalisa, desde o comentário político sobre o governo Bush (o filme se passa há uma década, no ano em que Kaufman escreveu a peça em queAnomalisa se baseia) até o design que faz dos bonecos mortos-vivos (só no close-up extremo, que revela as texturas do boneco, ele ganha alguma vida) e do hotel um não-lugar suspenso da realidade.
Mas em nenhum momento o filme substitui esse vazio por uma conclusão capaz de dar a Anomalisa um significado. O arco de Michael é uma grande introdução a um mal-estar contemporâneo, e a trama se encerra em plena construção, quando esse mal-estar é enfim diagnosticado (síndrome de Fregoli).
Anomalisa é um filme estadunidense de comédia-drama romântico em animação de 2015 dirigido por Charlie Kaufman e Duke Johnson. A obra, que tematiza a síndrome de Fregoli, foi apresentada originalmente em 4 de setembro de 2015 no Festival de Veneza e as vozes das personagens foram personalizadas por David Thewlis, Jennifer Jason Leigh e Tom Noonan. Ela concorre ao Oscar de melhor animação 2015.
Mas o que fazer com esse diagnóstico em mãos? Kaufman continua sendo um especialista em amplificar de forma surreal nossas angústias modernas, mas não necessariamente em narrá-las. Anomalisa poderia tirar vantagem de ser um pequeno drama intimista, sem as pretensões de discurso de Adaptação, mas mesmo reduzindo sua escala (literalmente, pelo stop-motion) Kaufman continua imobilizado pelo seu potencial.
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