Além dos filmes vencedores das últimas premiações, como Parasita, Bela Vingança e Druk, cinelist também traz títulos que já renderam estatuetas aos diretores Steven Spielberg e Jane Campion e ao ator Javier Bardem, e indicações à Will Smith e Denzel Washington
O drama inédito Quatro Dias Com Elaestreia no Telecine Premium no dia 22 de março, às 22h, pelo selo Première Telecine, na mesma semana da cerimônia do Oscar, que será realizada no dia 27 de março. No filme, que está indicado ao prêmio de Melhor Canção Original, por Somehow You Do, de Diane Warren, Deb (Glenn Close) vive tranquilamente até que sua filha, Molly (Mila Kunis), uma viciada em drogas, bate à sua porta pedindo abrigo. A contragosto, ela a resgata. Na reabilitação pela 15ª vez, elas descobrem uma terapia nova e intensiva de cura. Molly precisa apenas ficar limpa quatro dias para iniciar este tratamento.
Somehow You Do garantiu a Diane Warren sua 13ª indicação ao Oscar, no quinto ano consecutivo. A compositora é recordista em nomeações à categoria de Melhor Canção Original e também é a mulher que mais concorreu a um prêmio da Academia e nunca ganhou. A música tema de Quatro Dias Com Ela é interpretada pela consagrada cantora country Reba McEntire e tem produção de Tony Brown.
Mais indicados ao Oscar no Telecine
Especialista em cinema, o Telecine disponibiliza para seus assinantes filmes vencedores do Oscar de anos anteriores, como Druk – Mais Uma Rodada, Melhor Filme Estrangeiro, em 2021, Bela Vingança, Melhor Roteiro Original, em 2021, Parasita, Melhor Filme, em 2020, Coringa, Melhor Ator para Joaquin Phoenix, em 2020, Infiltrado Na Klan, Melhor Roteiro Adaptado, em 2019, e Me Chame Pelo Seu Nome, Melhor Roteiro Adaptado, em 2018, na cinelist Filmes Premiados e Indicados.
Já os indicados ao Oscar deste ano também podem ser vistos em outros trabalhos. Denzel Washington e Will Smith, que concorrem ao prêmio de Melhor Ator por A Tragédia de Macbeth e King Richard: Criando Campeãs, estão no catálogo do Telecine em O Voo e Ali, respectivamente, que foram indicados à mesma categoria em anos anteriores. Javier Bardem, indicado por Apresentando Os Ricardos, ganhou a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante por Onde Os Fracos Não Têm Vez, em 2008.
Jane Campion, que se tornou a primeira mulher na história a disputar o Oscar de Melhor Direção mais de uma vez com a indicação por Ataque dos Cães, ganhou a estatueta de Melhor Roteiro Original por O Piano, em 1994. Concorrendo com Belfast, Kenneth Branagh assina a direção de Operação Sombra – Jack Ryan. Steven Spielberg, indicado por Amor Sublime Amor, é o diretor de treze filmes do catálogo do Telecine, entre eles, O Resgate do Soldado Ryan, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Direção, em 1999.
Conheça o Telecine
Líder e referência em filmes no Brasil, o Telecine é o clube de cinema mais completo e com o maior acervo do país, selecionado por meio de um atento e especializado trabalho interno de curadoria. Com o objetivo de contemplar a pluralidade da indústria e atender aos mais variados perfis de usuários, o Telecine transforma programação em experiência com o filme ideal de acordo com o seu momento cinema. O catálogo reúne clássicos de grandes estúdios, do mercado independente e nacional, além de produções exclusivas lançadas pelo selo Première Telecine. Acesse Telecine e experimente a magia do cinema.
ENTREVISTA COM BOMBEIRA TRAZ A PERCEPÇÃO DE UMA MULHER DENTRO DA CORPORAÇÃO VIVENDO SEU SONHO
Esta semana estreia Coração de Fogo (Fireheart), uma animação inédita para toda a família, e que traz uma mensagem inspiradora para seguir os sonhos e acreditar em si mesmo. O longa é dos mesmos produtores de “A Bailarina” e chega aos cinemas oficialmente nesta quinta-feira, 24 de fevereiro, após as sessões de pré-estreias que aconteceram no último final de semana.
Depois de apresentar dois trailers (1 e 2), o pôster oficial (aqui) e as artes alternativas de cartazes (1, 2 e 3), a Paris Filmes divulga com exclusividade uma entrevista feita com uma Bombeira do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF), Stephanie Cardoso.
Mãe de uma menina de 7 anos, Stephanie Cardoso tem 33 anos e é bombeira militar há 4 anos. Ela é cabo do CBMDF e atua em ocorrências de rua, como combate a incêndios urbanos e florestais, resgate veicular, atendimento pré-hospitalar, etc. O chamado que vier, a cabo Stephanie está pronta para atender.
Moradora de Brasília, sempre prestou concursos públicos a pedido de seu pai que inclusive era quem a inscrevia. “Eu fazia as provas, mas costumava dizer que era inútil, pois não ia fazer um serviço incompatível comigo”, conta. E foi em 2015 quando finalmente encontrou um concurso para chamar de seu: o do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. Ela foi incorporada em 2018.
No filme, a personagem Georgia sonhava em ser bombeira, mas era impedida devido a uma regra social onde apenas homens tinham permissão para esta função. No Brasil, as mulheres passaram a ser aceitas no Corpo de Bombeiros Militar apenas em 1993 onde a primeira turma de oficiais da academia formou bombeiras pela primeira vez. Essa turma foi justamente no CBMDF, em Brasília. Stephanie Cardoso compõe o grupo de 18% de mulheres bombeiras atuantes em Brasília, um dos quadros mais representativos do país, onde as corporações costumam ser compostas por 10% de mulheres e 90% de homens. No Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal são 1098 mulheres em diversas funções.
“Apenas tive a impressão, em alguns momentos, de um cuidado demasiado, uma proteção e zelo a mais”, diz a cabo Stephanie quando perguntada se sentiu algum tipo de aversão por parte da família ou em alguma ocorrência pelo fato de ser uma mulher bombeiro. “Talvez porque ainda esteja no imaginário de alguns que a mulher deva ser poupada em situações mais masculinas”, conclui.
Georgia que sempre desejou ser bombeira para salvar e proteger as pessoas se aventurou como Joe para entrar na equipe de seu pai, e viver o dia a dia da corporação despertou o sentimento ainda mais intensamente em seu coração. Já Stephanie garante que quando uma ocorrência chega, os sentimentos são variados. “O coração acelera. […] Chegando na cena é normal me deparar com uma situação nova e aí me sirvo principalmente das experiências que tive em outros momentos. Cada ocorrência é única.” E por ter uma filha pequena, com a idade próxima a de Georgia, Stephanie conta que a situação de risco que a profissão tem a gera ansiedade, pois tem a responsabilidade de sempre estar presente na vida da filha ao mesmo tempo em que ama um trabalho com muitos riscos. “Um princípio dentro da Corporação e que é preciso sempre meditar em torno dele é: arriscar muito para salvar muito, arriscar pouco para salvar pouco, arriscar nada para salvar nada” e conclui “tenho a obrigação de ser presença atuante na vida da minha filha, mas também tenho a obrigação comigo mesma de ser uma mulher realizada e feliz na minha profissão.”
STEPHANIE CARDOSO – FOTO DIVULGAÇÃO CBMDF
Stephanie conta que uma das etapas mais desafiadoras de sua carreira foi ganhar a confiança dos colegas, especialmente dos mais experientes. Ela garante que é um trabalho diário, a constância e a resiliência, escutar e aprender com quem já vivenciou muitas outras experiências. E, por outro lado, o que a torna ainda mais apaixonada pelo que faz é a capacidade da profissão de inspirar esperança e confiança em coisas boas, é a verdadeira experiência do servir. “Abrir mão da própria necessidade em prol de um desconhecido, dando o melhor de si para o bem-estar do outro”.
Em Coração de Fogo, Georgia inspira-se em seu pai e vê a profissão com o grande sonho de sua vida, uma forma de ajudar e cuidar do próximo. Quando ela decide se disfarçar de Joe, o propósito é, além de realizar seu sonho, mostrar para a sociedade que uma mulher pode sim ser bombeira. E se a cabo Stephanie acha que cada mulher bombeira inspira outra? “Com certeza, é a missão que cada bombeira carrega, a de deixar registrado que podemos ocupar o lugar que bem ansiamos dentro da sociedade e também abrir caminho para que mais mulheres persigam seus sonhos. Quando visto minha capa de aproximação ou minha farda me sinto confiante, capaz, me sinto forte. Penso que essa sensação é contagiante e quando alguma mulher me vê na rua ou passa por mim, quero acreditar que ela também se sentirá igual. Tenho uma filha de 7 anos e certa vez apareci na televisão por conta de uma ocorrência, quando cheguei em casa ouvi muitos elogios dela, me disse que eu era uma super-heroína. A empolgação dela me marcou profundamente, tenho certeza que pelo exemplo, ela não terá melindre em correr atrás dos próprios objetivos.”
Além da aventura divertida que é o filme traz ao longo de seus 93 minutos, a história propõe uma discussão importante que empodera mulheres e meninas de uma geração que está se formando. Na corporação, a bombeira Stephanie é enfática quando diz que vê “cada vez mais mulheres conquistado seus espaços almejados, sendo respeitadas, admiradas e não subestimadas, tanto em funções operacionais quanto no comando e liderança”.
STEPHANIE CARDOSO – FOTO DIVULGAÇÃO CBMDF
Assim como Georgia, muitas pessoas não têm apoio para seguir seus sonhos. Quando perguntada sobre um conselho para quem passa por isso, Stephanie acredita que perseverar , continuar e não desistir, é o mais importante. “Começar é difícil, mas à medida que avançam também ganham confiança em si”. E para as meninas que sonham em servir ao Corpo de Bombeiros Militar, ela acredita que o principal é estudar e treinar. “Há muitas mulheres bombeiras. Se inspirem, procurem conhecê-las, são mulheres reais com problemas e dificuldades, mas acharam meios de transpor”, e finaliza: “Não há nada mais prazeroso que olhar sua trajetória e enxergar o próprio crescimento, vocês vão ver, é incrível!”.
obre a Paris Filmes
A Paris Filmes é uma empresa brasileira que atua no mercado de distribuição de filmes no Brasil e na América Latina, destacando-se pela alta qualidade cinematográfica. Além de ter distribuído grandes sucessos mundiais como as sagas “Crepúsculo” e “Jogos Vorazes”, o premiado “O Lado Bom da Vida”, que rendeu o Globo de Ouro®️ e o Oscar®️ de Melhor Atriz a Jennifer Lawrence em 2013 e “Meia-Noite em Paris”, que fez no Brasil a maior bilheteria de um filme de Woody Allen, a distribuidora também possui em sua carteira os maiores sucessos do cinema nacional, como as franquias “De Pernas Pro Ar”, “Até Que a Sorte nos Separe”, “DPA – O Filme” e “Turma da Mônica”. Nos últimos anos a empresa esteve à frente de importantes lançamentos como “John Wick”, “La La Land – Cantando Estações”, “A Cabana”, “Extraordinário” e “Marighella”. Para os próximos lançamentos, a empresa aposta em um line-up diversificado, que inclui títulos como “Detetives do Prédio Azul 3 – Uma Aventura no Fim do Mundo”, “Invencível”, “A Luz do Demônio”, e as sequências de “John Wick”, “Jogos Vorazes”, “Extraordinário 2”, entre outros.
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Com DNA da brasileira RT Features, A ILHA DE BERGMAN escrito e dirigido pela francesa Mia Hansen-Løve é uma declaração de amor ao cinema, em especial àquele de Ingmar Bergman, diretor sueco de filmes como “Cenas de um casamento” e “Morangos Silvestres”. O filme chega aos cinemas brasileiros em 24 de fevereiro com distribuição da Pandora Filmes.
O filme, que fez sua estreia em Cannes, e foi rodado na ilha de Fårö, no Mar Báltico, próxima à Suécia, onde Bergman se estabeleceu até sua morte em 2007, e que serviu de cenário para alguns de seus longas, como, “A hora do lobo”, “Vergonha” e “Persona”. “Existem duas Fårö: aquela dos filmes de Bergman e aquela que você descobre quando chega lá. Se a Fårö que a gente descobre fosse exatamente igual àquela dos filmes dele, eu provavelmente não encontraria um espaço para mim mesma. Fårö sempre terá a presença dele. E como existem essas duas variações, se tornou muito empolgante para mim”, disse a cineasta em entrevista ao The Playlist.
No filme, um casal de cineastas, Chris (Vicky Krieps, de “Trama Fantasma”) e Tony (Tim Roth), viaja à ilha, onde ele participará de alguns eventos, enquanto ela tenta superar uma crise criativa, e escrever um novo roteiro. Na medida em que o tempo passa, a fantasia e a realidade se confunde. Visitando ruínas das filmagens de Bergman, a jovem diretora conhece outras pessoas, e passa a imaginar um filme sobre uma jovem (Mia Wasikowska), em Fårö, para uma cerimônia de casamento, acaba vivendo um reencontro complicado com ex-namorado (Anders Danielsen Lie), com quem acaba se envolvendo novamente.
A diretora conta que, por causa da agenda do elenco, teve de filmar a segunda parte do longa, o filme dentro do filme, primeiro, e isso acabou sendo estranho, mas bastante proveitoso. “As imagens e a parte do longa já editada me ajudaram a pensar como seria a metade anterior. Como houve um intervalo longo entre as duas filmagens, acabei tendo mais tempo para maturar como queria fazer. Porém, a estrutura das cenas continuou a mesma.”
Filmando numa língua que não é sua, inglês, Hansen-Løve conta que deu mais liberdade aos atores e atrizes para trabalhar as falas. “Nunca confiei tanto no elenco como nesse filme, e eles me ajudaram muito com os diálogos. Tanto Vicky quanto Tim se apropriaram das falas, mudaram coisas para soarem mais naturais, como um americano diria. Como não falo inglês tão bem quanto eles, tinha que confiar neles em se tratando da língua, e eu adorei isso: dar liberdade”.
A diretora também confessa que a maneira como faz seus filmes é bastante intuitiva. “Eu escrevo um filme, e vejo depois o que significa. Claro que o sentido está ali, desde o começo. Tenho ideias que sei que serão usadas num filme aqui e ali, mas, inicialmente, quando escrevo, são uma série de impressões e ideias conectadas umas com as outras. Eu procuro um certo fluxo e fluidez. E isso não é sempre racional ou consciente. O sentido e o motivo do que estou fazendo – a intenção geral – é algo que percebo mais tarde, quando analiso e converso sobre o material.”
Desde sua estreia mundial, na competição do Festival de Cannes de 2021, A ILHA DE BERGMAN só tem recebido elogios. “O filme é um jogo de cinefilia feito com muita sinceridade e inteligência”, escreve Owen Gleiberman, na Variety. “O filme é uma ode à liberdade da artista mulher que deve buscar inspiração e substância onde ela quiser”, conclui Jon Frosch, da Hollywood Reporter.
A ILHA DE BERGMAN será lançado no Brasil pela Pandora.
Sinopse
Chris e Tony são um casal de cineastas que viaja até a ilha de Fårö, onde viveu e morreu o cineasta Ingmar Bergman. O lugar é marcado pela obra do diretor. Enquanto seu marido já é um cineasta estabelecido e fã do sueco, Chris enfrenta uma crise criativa em busca de sua própria voz como uma cineasta. Ela acaba tendo a ideia para um filme sobre uma jovem que viaja para um casamento numa ilha, e reencontra seu antigo namorado.
COM DIREÇÃO DE JOÃO WAINER, THRILLER TRAZ AINDA MARIANA LIMA NO ELENCO
O thriller psicológico “A Jaula”, tem estreia nacional marcada para esta quinta-feira, 17 de fevereiro. O primeiro longa de ficção do jornalista e fotógrafo João Wainer (diretor dos documentários “Pixo” e “Junho – o Mês que Abalou o Brasil”) traz no elenco principal Chay Suede, Alexandre Nero e Mariana Lima, além de participações especiais de Astrid Fontenelle, Mari Moon, Domenica Dias e Wallid Ismail.
Na trama, Djalma (Chay Suede) vê um veículo de luxo estacionado numa rua tranquila e resolve roubar o rádio. Ele entra com facilidade, mas ao tentar sair descobre que está preso, incomunicável e sem água ou comida. Com o passar das horas, o ladrão descobre que caiu numa armadilha arquitetada por um famoso médico (Alexandre Nero), com quem luta pela sua liberdade e sobrevivência. Vingança, justiça e banalização da violência estão entre os temas que o filme levanta, em meio a um embate de tirar o fôlego.
Baseado no filme argentino “4×4”, o longa tem roteiro original assinado por Mariano Cohn e Gastón Duprat, a partir de adaptação de João Candido Zacharias. A produção é da TX Filmes, em coprodução com a Star Original Productions, e a distribuição é da Star Distributions.
Sinopse:
É só mais um carro de luxo sendo roubado numa rua de São Paulo… ou não. Um ladrão (Chay Suede) entra com facilidade no SUV estacionado numa rua pacata, mas, ao tentar sair, descobre que está preso em uma armadilha, incomunicável, sem água ou comida. Recai somente sobre ele a vingança que um famoso médico (Alexandre Nero) planejou depois de sofrer inúmeros assaltos. Quem passa em volta não percebe o embate que se arma entre o sádico vingador e o ladrão prisioneiro dentro do carro. “A Jaula” é um thriller psicológico que não deixa o público desgrudar da tela. Quem é o vilão e quem é a vítima?
Ficha técnica:
Direção: João Wainer
Roteiro original:Mariano Cohn e Gastón Duprat
Tradução e adaptação: João Candido Zacharias
Direção de fotografia: Leo Resende Ferreira
Direção de arte: Billy Castilho
Direção de produção: Marcos Tim França
Produção: TX Filmes
Coprodução: Star Original Productions, Cinecolor
Produção executiva: Camila Villas Boas
Eddie Vogtland
Mariano Cohn
Gastón Duprat
Martin Bustos
Produtora: Camila Villas Boas
Produtor associado: Roberto T. Oliveira
Maquiagem: Emi Sato e Marcos Ribeiro
Figurino: Nicole Nativa
Preparação de elenco: Márcio Mehiel
Montagem: Cesar Gananian
Desenho de som e mixagem: Ariel Henrique
Trilha sonora original: Apollo Nove
Trilha sonora adicional: Mc Guime – Triz — Tropkillaz
Exibido na Mostra Internacional de São Paulo e no festival Cine de las Americas, filme chega aos cinemas em 7 de abril
Mais de uma década atrás, quando começou a pensar no longa que viria a ser MAR DE DENTRO, a diretora e corroteirista Dainara Toffoli foi questionada inúmeras vezes se a maternidade, em si, daria um filme. “Queriam saber qual seria a trama, qual seria a grande história. Para a maioria das pessoas, falar sobre maternidade não seria suficiente. Foram muitos anos para conseguir o financiamento. Percebi que a maternidade real, não idealizada, era um tema tabu. Mas eu precisava falar sobre isso e tinha uma intuição forte de que as mulheres iriam se identificar. Não é à toa que a Eliane Ferreira, produtora do filme, é mulher e mãe. Desde o início, sentíamos a mesma urgência. E esta parceria foi muito importante para que não desistíssemos depois dos inúmeros nãos.”
O longa chega aos cinemas em 7 de abril, com distribuição da Califórnia Filmes e produzido pela Muiraquitã Filmes em coprodução com a Elástica Filmes e o Telecine.
Protagonizado por Monica Iozzi, MAR DE DENTRO tem como personagem central Manuela, uma mulher independente e bem sucedida, que descobre uma gravidez não-planejada. Uma série de problemas emergem, até que a maternidade se concretiza em sua vida, e ela descobre que terá de aprender como ser mãe, mesmo sem gostar da maternidade.
Monica, cada vez mais se destacando como atriz e surpreendendo quem a conhece apenas da comédia aponta MAR DE DENTRO como um começo em busca de outros gêneros em sua carreira. “Quem me conhece da novela na televisão nunca me viu nesse outro registro. Então deverá ser uma surpresa pra quem me acompanha. Mas acho que devo deixar claro que gosto sim de fazer humor, que sou muito grata a tudo que o humor me proporcionou até agora.”
Para a atriz, o fato de ser uma história que mostra uma mulher que vive uma situação limite a atraiu muito para o projeto. “Mas o primeiro ponto que me chamou a atenção é que a Manu não tem o perfil que estamos acostumados a ver das mulheres. Ela é uma mulher realmente que adora o trabalho, que é bem sucedida e muito exigente. E ela também tem uma relação livre com um cara e está tudo bem com isso também. Então, me atraiu muito poder mostrar uma mulher assim com um olhar mais contemporâneo.”
Dainara, que assina o roteiro com Elaine Teixeira, acredita que há muita solidão e, até mesmo, um luto na maternidade. “Chegamos do hospital com um bebê no colo e uma dura e solitária rotina desaba sobre nossas cabeças. Para a sociedade, a mulher grávida ou com criança pequena é um certo fardo destituído de suas antigas capacidades. Assim, quando a mulher decide ter um filho, ela precisa saber que é uma rotina que vai enfrentar, na maior parte das vezes, sozinha. A licença paternidade é de cinco dias. Um bebê exige 24 horas de atenção. Ter um filho custa caro e não há uma rede de apoio. Quando vemos, estamos tentando dar conta de tudo e abrindo mão das nossas aspirações. Com tanta idealização, o que sobra para a mulher é cobrança, cansaço e um sentimento de culpa constante.”
A produtora Eliane Ferreira aponta que MAR DE DENTRO traz uma outra visão sobre a maternidade, comumente romantizada no cinema. “Ou é a maternidade excessivamente idealizada, em que o filme normalmente acaba quando o filho nasce. É a realização de ser mãe, ‘pronto, consegui, sou feliz para sempre’. Ou é algo retratado totalmente fora do padrão, problemática. Mas acredito que esta repetição de abordagem possa ter a ver com o fato de o cinema ter sido feito, por muito tempo, majoritariamente por homens. O olhar masculino sempre foi tão dominante que, mesmo para as mulheres que fazem cinema, talvez falar sobre maternidade desta forma realista como fazemos em aqui, ou em outras abordagens de outros projetos de cinema, poderia parecer fragilidade.”
Dainara acrescenta que, esta suposta fragilidade não condiz com a realidade. “Na verdade, a maternidade é de uma potência enorme. Por isso, quis mostrar o puerpério, algo absolutamente do espaço da mulher e dos homens trans sobre o qual falta reflexão. Hoje se fala do puerpério, mas esta é uma palavra muito nova na nossa cultura. Ser mãe é virar bicho. Peito inchado, melecado e vertendo leite. Exaustão. Fadiga. Aquela sensação constante de se ver como a vítima em um filme de vampiro: sugada e insone. É horrível e, pode ser, belo ao mesmo tempo,” completa ela.
O equilíbrio entre força e doçura é uma das chaves da narrativa de “Mar de Dentro”. Ainda que a situação financeira de Manuela seja confortável, ao encarar a maternidade praticamente sozinha em uma cidade que mais isola do que une as pessoas, ela vive um processo crucial de autodescoberta. Em vez de romantizado, o processo de se tornar mãe é visto com humanidade e com todas as contradições que ele traz.
Mônica aponta que há uma pesquisa que revelou que aproximadamente 47% das mulheres são demitidas ou então acabam perdendo posições na hierarquia do trabalho nos dois anos seguintes à maternidade. “É justamente em tudo isso que Mar de Dentro dá uma pincelada.”
A diretora ressalta que em seu filme, além da maternidade em si, está discutindo outras questões relacionadas ao tema, como a vida profissional da mulher que acaba de ter um filho, ou o desejo e o prazer feminino. “Este é um filme de mulheres. Há dez anos ninguém falava sobre isso. Tateamos um lugar que depois se tornou mais que um assunto, virou uma luta. Foi um processo duro, mas recompensador”, finaliza.
Monica, por sua vez, acrescenta que, apesar de ter a mulher e assuntos relacionados com ela, ao centro, MAR DE DENTRO é um filme que deve ser visto também pelo público masculino. “Há alguns temas que são difíceis de interessar aos homens porque para a grande maioria são questões que pertencem ao universo feminino única e exclusivamente. Há a velha questão do pai que é um puta paizão se ele troca uma fralda ou a do ‘meu marido é ótimo, ele me ajuda tanto.’ Mas acho também que tem uma coisa que talvez esse filme consiga furar um pouquinho, que é essa bolha. Isso porque realmente não é uma história que vai na linha de ‘que linda a maternidade’. Tem outras questões.”
O ator Rafael Losso, que interpreta o principal personagem masculino do filme, destaca a importância de ter uma diretora mulher à frente dessa história. “Pensando na história do cinema, quantos homens não quiseram contar ou contaram histórias de mulheres? E receberam prêmios por isso. Ou quanto a gente já não roubou histórias que, na verdade, deveriam estar sendo contadas por mulheres. As mulheres têm o direito de fazer o que elas quiserem. Pensando em MAR DE DENTRO e na vivência da Dainara, pensando também em outras mulheres, um diretor poderia contar a história da Manuela, mas não da forma como ela conta. Foi um prazer trabalhar com ela.”
Desde sua estreia na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o filme recebeu diversos elogios. José Geraldo Couto, no site do Instituto Moreira Salles, escreveu que o longa tem “narrativa eficiente […] que faz aflorar questões sobre o lugar da mulher numa sociedade machista.” Isabel Wittmann, em Estante da Sala, diz que “O ponto forte do filme está nos pequenos detalhes: nas rotinas, nas descobertas, nas delicadezas, na forma como mostra como cada pessoa tem um palpite, mas, no final, o que resta é a solidão da mãe e suas escolhas, ainda que em um contexto tão privilegiado. MAR DE DENTRO não romantiza a maternidade, mas a trata com uma beleza melancólica.”
Luiz Zanin, de O Estado de S. Paulo, escolheu MAR DE DENTRO como um de seus longas favoritos do festival: “Um tratamento simples e honesto sobre a questão da maternidade. Em meio a muitas firulas e poucos resultados, o cinema brasileiro (pelo menos pela amostra apresentada), esse tipo de obra, que deseja se comunicar sem baratear suas ideias, merece ser destacado. É melhor que muito filme-cabeça pretensioso.”
Mar de Dentro
Manuela é uma profissional de sucesso que, ao se descobrir grávida de um colega de trabalho, tem de lidar com a transformação de seu corpo e sua vida. Em meio a tantos desafios, ela se defronta com uma fatalidade que afetará ainda mais seu destino. Quando o bebê nasce, ela tem de aprender a ser mãe mesmo sem gostar, a priori, da maternidade.
Direção: Dainara Toffoli
Elenco: Monica Iozzi, Rafael Losso, Gilda Nomacce, Fabiana Gugli; Participação Especial: Zé Carlos Machado e Magali Biff